Acredito que o primeiro passo seja tomar consciência dessa realidade. Caso ainda tenha uns "pequenos preconceitos" em sua alma, sugiro que tente passar uma esponja de aço para removê-los. O que acha? Mas vá devagar, pois mudar é um momento difícil, um momento o qual você precisa viver plenamente. Acima de tudo respeite seu tempo, seu repertório, e tudo o que você está acostumado a ver, sentir, dizer e fazer. Acredito que tudo o que é aprendido de verdade nunca esquecemos. Ter paciência e perseverança pode ser um bom começo.
Todos os dias eu me proponho a experimentar uma nova forma de ver o mundo com mais dedicação e amor. Isso é maravilhoso e gratificante! Tenho um metro de altura, uso um par de muletas para me locomover, convivo com a fragilidade óssea do meu corpo, uso uma cadeira de rodas para percorrer grandes distâncias, e ainda enfrento muitas dificuldades físicas. Porém com certeza, o mais trabalhoso é mostrar ao mundo que posso exercer minha cidadania. E apesar de viver ainda com o grande apoio da família, sou formada em Comunicação Social, trabalho como jornalista, pratico esporte, namoro, viajo, passeio, pago meu plano de saúde e algumas outras despesas. Luto a cada dia por minha autonomia, em um país ainda desinformado a respeito das características diversas de todos nós.
Sugiro que caso você ainda não tenha muita ou nenhuma convivência com alguma pessoa com deficiência, ou quando se sentir incomodado e sem jeito - não sabendo como reagir diante do que lhe parece "diferente" - o melhor a fazer é ter uma atitude humilde e sensata o bastante, para expressar o que você está sentido no momento. O diálogo pode ser um ótimo caminho. Caso tenha dúvidas, simplesmente pergunte.
E lembre-se que as pessoas com alguma deficiência não podem ser consideradas heróis ou coitadinhas! Elas são iguais a todo mundo na medida de suas diferenças: choram, riem, ficam tristes, são alegres, podem ser agressivas ou amigáveis, são impáticas ou antipáticas, amáveis ou amargas, entre outros tantos sentimentos. Portanto, podem ter qualquer reação ao perceber que você nunca esteve perto de uma pessoa considerada "diferente", como ela. Tudo vai depender, do repertório de vida que ela também tem, por isso, creio ser importante não ter medo de arriscar. Ser sincero e estar disposto a aceitá-la como ela é, pode ser um ótimo começo. Vocês acham que se aproximar naturalmente dentro da situação a qual estão vivendo também é uma boa idéia?
Por exemplo, se estiverem cursando a mesma escola e/ou trabalho, inclua-a em suas atividades (caso ela se sinta excluída), e pergunte se é necessário, quando, e qual a melhor forma de auxiliá-la a fazer parte do ambiente em que está com conforto, segurança e naturalidade. O resto vai fluir como um rio seguindo o seu curso. E quando menos esperar creio que o preconceito desaparecerá de sua mente...
Agora, se você já tem um certo tempo de convívio (e se ele é saudável) com essas pessoas, pode ser muito importante continuar apoiando a sua causa. Afinal, ela ainda está mais distante do que a sua em relação a uma completa inclusão na sociedade. E caso seja possível, participar dos movimentos sociais e das políticas afirmativas que asseguram seus direitos, creio ser outra boa alternativa.
Por isso, além de respeitar seus direitos, (como por exemplos, não estacionando seu carro nas vagas demarcadas com o Símbolo Internacional de Acesso - destinadas às pessoas que necessitam de um espaço maior para manobrar sua cadeira de rodas), eu sugiro que vocês procurem os órgãos públicos como: os Conselhos Municipais e Estaduais da Pessoa com Deficiência, e coordenadorias sociais, (entre elas a de Direitos Humanos), o Ministério Público, Ministério do Trabalho e/ou da Educação, a Ordem dos Advogados do Brasil, as sub-prefeituras, as associações de bairro, ONGs, empresas, e principalmente as mídias (TV, rádio, jornal, revista, internet) que atuam em prol da inclusão social, para buscar informações, denunciar discriminações e/ou falta de acessibilidade em sua escola, faculdade, trabalho, rua, bairro, cidade, estado, país, entre outros lugares. Ações como essa são fundamentais! 2004 foi definido o "Ano Ibero-americano da Pessoa com Deficiência" na última reunião da Cúpula dos Chefes de Estados dos Países Ibero-Americanos, da qual o Brasil é membro, com mais 21 países. A União Européia também instituiu 2003 como o "Ano Europeu da Pessoa Deficiente". E não esqueça que Dia 3 de Dezembro foi instituído pela ONU, em 1992, como o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (mais informações no link: http://www.cedipod.org.br/Dia3.htm .)
Bom, depois de se informar um pouco sobre esse importante tema lendo esse artigo, o que você está esperando? Mãos a obra! Faça algo para propagar a Inclusão. Você pode construir um Brasil mais HUMANO. E viva a DIFERENÇA!
* Leandra Migotto Certeza é escritora, produtora editorial, jornalista (MTb 40546), Consultora em Inclusão Social (Caleidoscópio Comunicações), e Diretora de Divulgação da Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta

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